terça-feira, outubro 19, 2010

Estresse em Crianças

Hum,vou dar uma de irmã coruja,mas a reportagem publicada domingo no Estado de Minas fala de um problema mais comum do que nós pensamos e merece mais destaque ainda pela participação de meu irmão Arthur (psiquiatra infantil): o Estresse em Crianças.
Estudos do Centro Psicológico de Controle do Estresse mostram que já atinge 32% das crianças do país. Além disso, pesquisa feita pela Associação Internacional para Prevenção e Tratamento de Estresse (Isma) aponta que oito em cada 10 crianças brasileiras apresentam sintomas psicossomáticos relacionados a transtornos de ansiedade!!

Fatos como mudança de escola, troca de professora ou babá, dificuldade em alguma disciplina, repreensão severa, perda de um parente ou separação dos pais podem desencadear reações diversas nas crianças. Especialistas destacam que, se não for tratado, o estresse pode causar prejuízos ao longo da vida, como depressão, obesidade e até distúrbios nos sistemas endócrino e cardiovascular.

A pesquisa mostrou ainda um dado surpreendente. A maior fonte de estresse para os pequenos pode estar na própria casa: repreensões exageradas e falta de suporte emocional são grandes vilões nessa história. O excesso de tarefas é citado como o segundo fator gerador de estresse. O bullying, que são as piadas e humilhações que ocorrem geralmente na escola, aparece em terceiro lugar na lista. O estudo ouviu 220 crianças, entre 7 e 12 anos.

De acordo com o psiquiatra infantil Arthur Kummer, professor do Departamento de Saúde Mental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), há duas formas de estresse que afetam as crianças: o agudo e o crônico. “Há o estresse gerado pelos grandes eventos da vida, como um luto ou uma separação dos pais, que é mais intenso, mas há também aquele causado por pequenos aborrecimentos diários. Cada um tem um impacto diferente”, explica o médico, ressaltando que nem sempre os eventos considerados mais fortes são os que tem maior repercussão no comportamento da criança.

A maioria das crianças reage ao estresse com sintomas imediatos, como birras, hiperatividade, enurese (xixi noturno) e medos excessivos. Os pais, na maioria das vezes, rapidamente percebem que a exigência é demasiada e tentam diminuir a tensão à qual ela está sujeita. “Em geral, tudo isso é feito de modo intuitivo. Os pais, às vezes, nem sequer sabem que estão lidando com o fenômeno estresse”. Os problemas surgem quando a tensão é extrema ou quando os adultos deixam de entender ou prestar atenção aos sintomas da criança. Nesses casos, podem ocorrer danos emocionais e físicos por extensos períodos de tempo.

Segundo Kummer, o estresse pode apresentar repercussões físicas ao longo da vida, tais como obesidade e distúrbios nos sistema cardiovascular, endócrino, músculo-esquelético, entre outros. Por isso, é importante que os pais prestem atenção às mudanças súbitas de comportamento dos filhos e se lembrem sempre de que são crianças. “É necessário que separem um tempo para brincar e se divertir, sem sobrecarga de atividades”. No caso de os pais não conseguirem lidar sozinhos com o problema, é fundamental a ajuda de um profissional, para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível, evitando assim traumas e prejuízos futuros.

Sintomas físicos do estresse infantil: dor de barriga, diarréia, tique nervoso,dor de cabeça, náuseas, hiperatividade, enurese noturna, gagueira, tensão muscular, ranger de dentes, falta de apetite, mãos frias e suadas.
Sintomas psicológicos do estresse infantil: terror noturno, introversão súbita, medo ou choro excessivo, agressividade, impaciência, pesadelos, ansiedade, dificuldades interpessoais, desobediência, insegurança, hipersensibilidade.
Obs: Os sintomas isolados não devem ser considerados como sinal de estresse.
Principais causas do estresse em crianças: críticas e desaprovações dos pais, atividades em excesso, bullying,  morte na família,brigas constantes entre os pais, separação de pais, mudança de cidade ou escola, professores inadequados, viagens longas, nascimento de irmãos, doenças e hospitalização.

Fonte: Associação Internacional para Prevenção e Tratamento do Estresse

2 comentários:

  1. Ansiedade hoje é o mal do século.
    Não se enganem, determinados comportamentos sem dúvida interferem diretamente na saúde mental de nossos pequenos....Sem puxar para o lado psi, mas encarando como fato: vamos cuidar de nossas cabeças, porque quando isso não está bem, o resto não funciona.
    Reportagem ótima edinha.

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  2. Obrigada,amiguinha!!! Vc está certíssima! bjos

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