Não, não é pra tocar o terror, mas pra gente entender um pouco mais sobre o assunto. Um trabalho realizado pelo Thyroid Program of the Division of
Endocrinology, no Boston Children's Hospital, em Boston,
Massachusetts, estudou as características dos nódulos na tireoide das crianças e o
risco de câncer.
O Boston Children's Hospital criou uma clínica multidisciplinar para nódulos da tireoide em crianças e
implementou um plano de avaliação padronizado. Após encaminhamento de um nódulo suspeito, o TSH
era medido e os pacientes com TSH baixo eram submetidos a uma cintilografia. Todos os
demais faziam uma ultrassonografia da tireoide e se esta
confirmasse nódulo(s) ≥ 1 cm,
seguia-se uma punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por
ultrassonografia. Os prontuários médicos foram revisados retrospectivamente e
comparados a uma população controle de 2.582 adultos avaliados por métodos
idênticos.

Das 300 crianças encaminhadas para a avaliação inicial de nódulos
tireoidianos suspeitos, entre 1997 e 2011, 17 foram diagnosticados com nódulos
autônomos pela cintilografia.
A ultrassonografia do pescoço realizada no
restante dos pacientes revelou que a biópsia era
desnecessária em mais da metade por documentar nódulos muito pequenos ou mostrar
que nenhum nódulo estava
presente. Um total de 125 crianças preencheram os critérios para biópsia de tireoide, a qual foi
realizada sem complicações. A taxa de câncer foi de
22%, significativamente superior à taxa encontrada nos adultos, de 14%
(P=0,02).
A ultrassonografia do pescoço e a
biópsia foram
fundamentais para a avaliação de crianças com nódulos tireoidianos suspeitos.
Apesar da relativa prevalência de
câncer em nódulos maiores
de 1 cm detectados por ultrassonografia ser alta em pacientes pediátricos,
comparados aos adultos, a maioria das crianças encaminhadas com nódulos
suspeitos têm condições benignas e os esforços para evitar cirurgias
desnecessárias nesta maioria são garantidos.